que é pra aquietá. que é pra colocar mais.

que é pra aquietá. que é pra colocar mais.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Retorno

A primeira trouxe olhar de amor de mãe, grande.Meu aperto está em não poder estar todos os tempos presente, ainda bem que essa materia não acontece sem a vontade.
A segunda nascida primeiro que todas, traz no abraço vivido as palavras de saudade no ouvido.Me coloca a par dos acontecidos momentaneos.
A terceira, raspa de tacho, crescida. Me banha de sorrisos novos e sadios.
A quarta, nascida um ano antes de mim, meiga e atrasada para o compromisso. Fala do amor nos braços entrelaçados aos meus.
Com o pé na terra, pra recarregar.

[Mariella Siqueira]

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Minuto

Por segundos caminhou desprendido de qualquer assunto
que pudesse tirar sua atenção.
Manteve a forma exata.
Novamente descobriu a delicadeza de sentar e olhar
todas as luzes diziam calmamente, não pare.
Conversa de amigo, nunca vai saber quem realmente é.
Que roupa usou, que cabelos voavam e que chinelos ele deixara de calçar.

A sabedoria de olhar nos olhos e filma-la,
mesmo que os olhos estivesses fechados
e a boca jamais falara algo assim.

Benção.

[Mariella Siqueira]

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Para instantes

Pra permanecer o manual intacto
é preciso que todas estejam
E nela não se toca.
É porque não se explica,
supõe ter uma voz paralisante, e
já veio de renda,
já trouxe assunto dele
e ai, adora o vermelho.
Já veio sem, marcando quadril.
Para não tocar no radio,
finge que não repara.
acende.
do jeito são,

sem razão.

[Mariella Siqueira]


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Antes das seis propostas

Escrevera uma historia para mostrar
A inquietude da inteireza humana.
O que menos importou foi se deitou para durmi
ou se na grama deitou-se com alguem.
Urubus não existem mais,
quem se sacia de carne morta são outras.
E mostram o caminho para onde se pintam
os corpos de culpa e esquecimento.
A historia mesmo, fica entre uma
linha e outra [do menino]
Porque em todas as outras tenta-se julgar capricho

[da entranha e da leveza]


Sobre: O Visconde Partido ao meio - Italo Calvino (1951)

[Mariella Siqueira]

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

[segredo para quatro paredes]

Preciso que você não se mova

Escute, a partir de hoje
Não vá se soltar de mim
Até quem erra pede
Se eu te encontrar, se quiser, fuja
Eu não tenho muito

Aperte, amasse
Meu corpo e minha alma
Dormem juntos com você
Escute, a partir de hoje
Não vá se soltar de mim

Te encontro e conto
De quantas correntes me soltei
De presente para você
Espero a sua sombra tomar forma
Sem limites
Eu me tenho pra você

Não tem espaço para espera
Daqui a pouco são perguntas
Te chamo para esse mundo, mas
Não demora
Eu te dou meu tesouro

Aperte, amasse
Meu corpo e minha alma
Dormem juntos com você
Escute, a partir de hoje
Não vá se soltar de mim

[Mariella Siqueira]

domingo, 26 de dezembro de 2010

Chegaram vestidas de Rainhas

Elas já brincaram de pé arrastado na terra que a rua batizou. Os troncos que vejo hoje são maiores, o tempo passou e as que não caíram, estão fortes, galhos e folhas em anos.
Esperavam balas e doces de quem vinha de longe, faziam as pazes porque o tio era do vizinho.
Salve quem é de reza boa. Abre a janela e fecha o corpo pro destino vir.
Uma tem as mãos mais velhas - porque são pelas mãos que se vê onde mora e com quem dorme – de corpo bom e mente cheia de coisa plantada. É quem cria e educa as saudades que ficam. É quem usa água de banho no rio, aguaceiro. Guarda em preto e branco chamas de amor em vão. Dona da casa.
Outra, madrinha de quem é irmã, tem gosto de chocolate, fez bagunça. Lá vem... As pernas arrastadas na terra fez vestir vestido e não uniforme. De pequena me guardava nos braços e quando podia pulava pra soltar a poeira, comigo, pra sempre a divertida com cabelos descompostos.
Quando a outra passa, é rainha, de espada na mão. Não guarda foto, não guarda ontem, nasceram dela as memórias na beira do cais que quisemos construir. Quem um dia guerreou feito onda brava, não para nunca. Velha marinheira e lembranças nas voltas que o mundo sempre dá. Deu à luz a duas, no mundo que é aqui. Com ela, três.
Esta nasceu primeiro, tem o peso da chuva, porque o molhado, pra mim, é mais bonito. Coube na palma da mão. Bagunçou a casa e levou duas broncas, uma pra mim, outra pra ela. O mundo é grande, azul, da cor que ela sempre encantou. Presente.
A ultima veio raspando o tacho. Dançou na roda que fez brincadeira. Metade da alma é como maresia que vai e volta, deixaram a janela aberta, passou um barco, ela seguiu. Protegida por quem ela quer que proteja. Volta sempre que é pra cantar a saudade. Em todo lugar guarda amor que existe por elas. Anda longe, de noite até de manha. Quem faz companhia é guerreiro. Eu vi espada, fecha correndo. As roupas e as armas. Todo mundo e ela corre nas pedras quentes, de sorriso no rosto. Perfumando quem pede, com folha pra ter fé.

[Mariella Siqueira]